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É bem verdade que a salvação somente pode ser concedida pela graça de Deus, mediante a fé, de forma totalmente gratuita (Ef 2:8-9), pois ainda que nós, humanos, possamos ler, estudar e aprender, não poderemos conhecer aquilo que não é revelado/iluminado por Deus ao nosso coração (1 Co 2:14-16), e ainda que conhecêssemos tudo, precisaríamos da fé, um presente de Deus (Ef 2:8). Consequentemente, não é possível se achegar a Deus por meio do mero conhecimento humano (1 Co 2:10), mas somente em razão dEle mesmo (Rm 9:16; Jo 6:44)
No entanto, muitos pensam que para ser pastor basta se sentir chamado ou, mesmo sem sentir desejo, basta que a igreja o indique; muitos, inclusive, até mesmo pensam que desejar ser pastor é alguma espécie de arrogância. Mas será que é isso que a Bíblia ensina?
O desejo de ser pastor
Inicialmente, é preciso registrar que ser pastor traz consigo uma série de requisitos. Paulo trata sobre isso em 1 Tm 3, e inicia ensinando que desejar o pastorado é desejar algo excelente! Vejamos:
1 Timóteo 3.1. Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.
É importante observar que Paulo, falando à Timóteo, não apresenta nenhum tipo de reprovação para aqueles que desejam ser pastores. Pelo contrário, aponta um estímulo, dizendo que desejar ser pastor é desejar algo excelente. Ora, se Paulo ou próprio Deus não se opôs ao desejo de ser pastor, será que algum mero humano poderia dizer que desejar ser pastor é algo arrogante? Certamente não.
Portanto, um dos primeiros passos para se ser pastor é o desejo. Ao pastor é necessário que lhe haja desejo de pastorear.
Requisitos morais
Além do desejo, é necessário que o bispo possua excelentes qualificações morais, tanto porque é necessário que seja maduro (não neófito), quanto porque os pastores são exemplo de fé (Hebreus 13.7). Sendo assim, os pastores precisam ser pessoas que não têm algo na vida que exija correção, deve ser um homem fiel, apto a tomar boas decisões, receptivo, não embriagado, que não espanca, que não deseje dinheiro gananciosamente, deve ser moderado, não briguento, não pode ser imaturo na fé e na vida, e deve ser tido como bom homem tanto pelos Cristão como pelos incrédulos.
1 Timóteo 3:2-7. ² É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
³ Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;
⁴ Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia
⁵ (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da igreja de Deus?);
⁶ Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.
⁷ É necessário também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo.
O pastor deve ter capacidade de ensinar
Mais do que os requisitos morais, o pastor deve ser preparado para ensinar, e aqui reside o grande fundamento para o estudo da Teologia. Isso é expresso na Bíblia:
1 Timóteo 3:2-7. ² É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;
Apto é justamente preparado. Portanto, o pastor deve ter uma capacitação especial para ensinar. Ora, como o pastor poderia ensinar, se não souber? É por isso que o bispo deve saber muito sobre a Bíblia. Sobre isso, Paulo instrui a Timóteo, dizendo que ele deve se apresentar diante de Deus como quem sabe muito bem acerca de Deus:
2 Timóteo 2:15. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade.
Como alguém poderia manejar bem a revelação de Deus se não a conhecer? É impossível!
É necessário aprender para poder ensinar
O pastor tem a responsabilidade principal de ensinar a Igreja e por isso deve se dedicar muito mais ao conhecimento da vontade de Deus revelada.
Jesus, o maior Mestre de toda a história, ensinava quando adentrava às Sinagogas:
Marcos 1:21-22. ²¹ Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, indo ele Jesus] à sinagoga, ali ensinava.
²² E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.
Se o próprio Senhor Jesus ensinava, o nosso maior exemplo, quanto mais os pastores o devem fazer.
Paulo também instruiu Timóteo a ensinar a vontade de Deus:
1 Timóteo 4.13. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. 1 Timóteo 4:13
E ate mesmo os Cristãos devem ensinar uns aos outros:
Colossenses 3:16. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.
Mas porque o conhecimento é tão necessário?
O conhecimento evita estragos
A ausência do conhecimento e a rejeição da Lei de Deus pode ser causa de destruição (Os 4:5-9), cegueira e tropeço (2 Pe 1:5-11).
Oséias 4:5-9. ⁵ Por isso tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe.
⁶ O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.
⁷ Como eles se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha.
⁸ Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente.
⁹ Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras
2 Pedro 1:5-9. ⁵ E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude o conhecimento,
⁶ E ao conhecimento a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade,
⁷ E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal o amor.
⁸ Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
⁹ Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
É por isso que todos os Cristãos devem conhecer a Bíblia, mas muito mais os pastores, que são responsáveis por liderar, dirigir e ensinar a Igreja.
Mas não somente isso:
O estudo é bom e Deus deseja
Estudar a Palavra é causa de felicidade àquele que tem prazer na Lei do Senhor e medita nela de dia e de noite (Sl 1:2). Desta maneira, se vê que ler sobre Deus, meditar nas coisas de Deus, estudar a Bíblia, orar, adorar, se relacionar com Deus, etc., não deve ser um peso, mas uma alegria, uma bem-aventurança, uma satisfação, seguindo a ordem ordem Bíblica de conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 6:3), para nos aprimorarmos diante D’ele, pois toda a Escritura é proveitosa para repreender, ensinar e corrigir o homem, a fim de que sejamos perfeitos (2 Tm 3:16-17).
É interessante também lembrar que se Deus nos deu a Bíblia, é porque Ele deseja que a leiamos e a compreendamos.
O estudo da Bíblia conduz ao conhecimento de Deus
Por fim, é importante estudar Teologia para que possamos realmente conhecer a Deus, bem como a forma que devemos viver e adorar ao único e verdadeiro Deus. Isso evita heresias e garante certeza com relação aos pontos essenciais da fé Cristã, visto que é na Bíblia que aprendemos sobre Deus (Gn a Ap), sabemos como Ele deseja ser adorado (Jo 5:23-24), conhecemos seu padrão moral (Ex 20), o caminho da salvação (Jo 3:16), etc.
Assim, o estudo da Teologia, longe de ser arrogância ou autossuficiência, é algo obrigatório para o Cristão, que deve realizar o aprofundamento Teológico de forma Bíblica, com alegria, constância, humildade e dependência de Deus, pelo poder do Espírito Santo, com a graça do Senhor Jesus Cristo, em razão da eleição salvadora do Pai, conforme as instruções de Deus constantes na Bíblia. Mas muito mais os pastores devem se dedicar ao estudo, pois eles é que têm a obrigação principal de ensinar a Igreja.
Livros, cursos e seminários na vida do pastor
Mas diante disso tudo, porque os pastores precisam investir em seminário e livros, se “os discípulos de Jesus não fizeram seminário, mas eram homens simples”?
Primeiramente, é preciso lembrar que dentre os discípulos, Paulo não era um homem pouco instruído e sem conhecimento, mas se destacava entre os Judeus:
Gálatas 1:14. ¹⁴ No judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e era extremamente zeloso das tradições dos meus antepassados.
Portanto, é uma falácia tremenda dizer que os discípulos de Jesus eram todos ignorantes.
Lucas também não era ingênuo, mas tido por muitos como médico, escreveu o seu Evangelho não por meio de uma revelação direta de Deus, mas por meio de profunda investigação, ou seja, uma espécie de estudo:
Lucas 1:1-4. ¹ Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, ² conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, ³ igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem,
⁴ para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.
Além disso, os discípulos de Jesus não foram enviados a anunciar o Evangelho senão depois de passar cerca de 3 anos vivendo com Jesus, sendo discipulados e ensinados pelo próprio Deus em pessoa, em carne e osso e esse não é o seu caso, você também precisa estudar a Bíblia que Deus te deu.
De semelhante forma os pastores hoje precisam aprender. À semelhança de Lucas, precisam investigar tudo detalhadamente, para então explicar; à semelhança de Paulo, precisam conhecer bem a doutrina Bíblica, para então ensinar; à semelhança dos demais apóstolos, precisam de tempo conhecendo a vontade de Deus, para então discipular e ensinar. Portanto, aprender sobre Deus é certamente a vontade de Deus para seu povo, e especialmente para os líderes na Igreja. Mas o que, exatamente, os pastores tanto estudam? Vejamos algumas matérias essenciais para o pastorado.
Manuscritologia
A manuscritologia é o estudo dos manuscritos Bíblicos. Já reparou que muitas vezes versões diferentes de Bíblias têm uma parte entre colchetes ([texto]) enquanto outra não? Já percebeu que em algumas Bíblias parece que tem uma parte a mais ou a menos do que outra? Ou até mesmo parece que a tradução é muito diferente? Essas diferenças muitas vezes são resultado do manuscrito escolhido para traduzir a Bíblia.
Há diversas linhas de manuscritos Bíblicos, como os Alexandrinos, Bizantinos e o Textus Receptus. Qual dessas linhas de manuscritos você acha que reflete a verdadeira Palavra de Deus? Além das linhas de manuscritos, há diferentes abordagens como o texto Bizantino Majortiário e a Teoria Crítica. Qual você acha que é o melhor caminho para encontrar o Texto que melhor reflete a vontade de Deus? Não sabe? Pois os pastores precisam entender sobre isso, pois a escolha entre essas linhas ou manuscritos resulta num texto Bíblico ligeiramente diferente.
Para aprender sobre isso, é necessário se aprofundar na manuscritologia, na história e na Bíblia, o que exige livros que expliquem sobre esses conteúdos que, por sua vez, geram custos de formatação, revisão, pesquisa e impressão, e por isso os pastores precisam investir dinheiro para compreender isso.
Línguas originais
NVI, NTLH, NVT, ARA, ACF ou BKJ? Talvez você desconheça, mas existem essas e muitas outras versões de tradução. Qual versão de tradução reflete melhor o sentido original do Texto Bíblico?
Os pastores precisam estudar o idioma original da Bíblia e seu sentido, para ensinar a Igreja de forma adequada, mas para isso precisam fazer cursos e ler livros que ensinam Grego Koiné, Hebraico e Aramaico, para poderem compreender melhor o sentido original e, então, ensinar a Igreja.
Esse é um trabalho que ocorre nos bastidores, pois embora a Igreja não veja, pode se fazer muito necessário para uma devida compreensão das Escrituras.
Aprender a ler
Não faz muito tempo se difundiu a história de um pastor que encontrou o seguinte texto Bíblico:
Oséias 3.1. ¹ E o Senhor me disse: Vai outra vez, ama uma mulher, amada de seu amigo, contudo adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses, e amem os bolos de uvas.
O homem, que se dizia pastor, interpretou “ama uma mulher, amada de seu amigo e adultera“! Resultado? Conversou com um membro de sua Igreja e resolveu adulterar com a mulher dele, porque, segundo sua interpretação esdrúxula, Deus o estava mandando adulterar! Que absurdo, não é?! Isso é fruto da má compreensão da Bíblia, porque o homem não sabia ler.
O Brasil tem uma taxa de analfabetismo funcional (sabe ler, mas não entender) de cerca de 29%. Além disso, muitas denominações se orgulham de que seus “pastores” são analfabetos ou acabaram de aprender a ler. Que tipo de interpretação essas pessoas poderiam ter da Bíblia?
Interpretar um texto é difícil, exige conhecimento da língua original, da língua em que foi traduzida e técnicas de leitura, interpretação e aplicação, sob pena de se entender e pregar um monte de absurdos, como ocorre em muitos locais. Tal estudo, porém, exige livros/cursos de português, de exegese, etc.
Contexto cultural e histórico
Compreender o contexto histórico e cultural é essencial para comunicação. Se você não soubesse do que se passa no mundo, certamente sua conversa seria truncada e talvez até impossível de ser compreendida. As figuras de linguagens, os exemplos e tantas outras coisas podem ser melhor compreendidas quando se conhece o contexto histórico e cultural. Tal conhecimento, porém, exige estudo, aquisição de livros do período Bíblico, livros de historiadores, etc., para que os estudiosos de hoje possam entender da mesma maneira que as pessoas da época Bíblica, pois o que para eles era óbvio, para nós é distante e muitas vezes incompreensível.
Humildade e aprendizado
Por fim, Deus não nos fez independentes, mas nos criou para vivermos em sociedade e em dependência uns dos outros. Assim, o aprendizado não ocorre só, mas com a companhia e o auxílio dos mestres que Deus disponibiliza. Jesus ensinou, Paulo exortou que Timóteo ensinasse. Assim, se alguém ensina, é óbvio que alguém está estudando/aprendendo. Rejeitar o estudo é rejeitar a forma que Deus nos disponibilizou para O conhecer.
Conclusão
Em resumo, os pastores precisam estudar porque essa é a vontade de Deus, que seu povo, mas especialmente os líderes, conheçam muito bem de Sua Palavra para poder ensinar, e a devida compreensão da Bíblia exige também conhecimento correlatos, como manuscritologia, grego Koiné, hebraico, aramaico, exegese, história e cultura etc.


